sexta-feira, 25 de março de 2011

INTERVENÇÃO NA LÍBIA DEBILITA KADAFI, MAS DIVIDE COMUNIDADE INTERNACIONAL

MUNDO - Sexta-feira, 25 de março de 2011.

Igor Natusch


Há uma semana, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a resolução número 1973, prevendo uma série de medidas contra o ditador da Líbia, Muammar Kadafi. A decisão, que impõe uma zona de exclusão aérea, o embargo na venda de armamentos e autoriza “todas as medidas necessárias” para a proteção de civis, já debilitou a investida de Kadafi contra os rebeldes que buscam derrubá-lo, mas não foi recebida com aprovação unânime pela comunidade internacional. A própria votação que confirmou a intervenção militar internacional contou com cinco abstenções, entre elas a do Brasil, e sofreu críticas de países como China, Rússia e Paquistão.

Entre as críticas, vozes condenam os riscos oferecidos à população civil e a interferência militar internacional em questões que seriam de autodeterminação. Além disso, outra acusação, mesmo que velada, é comum: a de que os interesses humanitários da coalizão seriam, na verdade, uma desculpa para aumentar o controle das potências ocidentais sobre a lucrativa produção de petróleo da Líbia.

Segundo Eveline Brigido, mestre em Direito Internacional e professora de Relações Internacionais da ESPM, a coalizão tem “forte embasamento jurídico” para essa decisão. “Verdade que o Conselho de Segurança é o único órgão dentro da ONU que realmente tem poder político, já que apenas ele pode autorizar o uso da força. Nem a OTAN tem essa prerrogativa. Mas os países integrantes da ONU se comprometem a cumprir as determinações do Conselho, e o Kadafi tem adotado uma postura clara de enfrentamento”.

Além disso, lembra a professora, não é a primeira vez que Muammar Kadafi se posiciona de forma a ferir determinações do órgão internacional. Como exemplo, ela lembra o atentado de Lockerbie, na Escócia, ocorrido em 1988. No atentado, um avião da Pan Am foi destruído em pleno voo, causando 270 mortes. O líbio Abdel Basset al Megrahi foi julgado e condenado, e Muammar Kadafi foi considerado o mentor do ataque, informação confirmada em fevereiro de 2011 pelo ex-ministro Mustafa Abdel-Jalil.

“As polêmicas envolvendo a ação na Líbia são resultado, em boa parte, da relutância dos países ocidentais em tomar algumas iniciativas”, critica Maurício Santoro. “A zona de exclusão aérea, por exemplo, demorou tanto que, quando saiu, as tropas de Kadafi já estavam cercando Benghazi”. Isso, segundo ele, acabou influenciando em especial no conteúdo da resolução, que acabou sendo bem mais amplo do que o primeiro.


Renatho Costa, professor de Relações Internacionais da Unipampa, vê na resolução da ONU uma intenção de definir rapidamente os rumos do conflito. Mas tudo dependerá, segundo ele, da real extensão do apoio interno a Kadafi. “O primeiro objetivo, que é impedir o avanço de Kadafi sobre os rebeldes, parece ter sido bem-sucedido. O que vai acontecer daqui para frente é difícil de prever, mas é perceptível que, se as potências ocidentais acharem necessário intensificar os esforços para inibir novas ações de Kadafi, isso vai acontecer”.


“Se Kadafi não recuar, ONU não recuará”

“É uma das poucas resoluções do Conselho de Segurança que se posiciona pela defesa da população civil, de jornalistas e integrantes de organismos de ajuda humanitária” diz Eveline Brigido, da ESPM. “Não é algo previsto na carta da ONU. Além disso, existe um princípio de não intervir em situações de guerra civil, até para preservar a autodeterminação dos povos”.


Para Maurício Santoro, o documento aprovado pelo Conselho é bastante amplo, dando margem para uma série de ações. Mas mesmo essa decisão, na visão do jornalista e cientista político, mostra-se alvo de diversos questionamentos. “Tivemos várias abstenções, e a Alemanha está retirando tropas e navios do Mediterrâneo, para não ser levada a participar (da intervenção). São sinais de que há uma visível fragilidade na coalizão”.


Além disso, há preocupação com eventuais desgastes que uma longa ação possa trazer, como aponta Maurício Santoro. Inclusive no sentido de comparar a situação na Líbia com outras intervenções em países árabes protagonizadas por países ocidentais, em especial os EUA, “existe o fantasma do Iraque, com certeza”, lembra Santoro. “Tem até essa coincidência infeliz, de o começo da ação na Líbia coincidir com o aniversário de 8 anos da guerra no Iraque. Entrar de cabeça em uma luta por terra é um desgaste que os Estados Unidos quer evitar até onde for possível”.


De qualquer modo, Eveline Brigido acha possível que ações mais enérgicas sejam tomadas pela ONU. “Se o Kadafi não recuar, o Conselho de Segurança também não recuará”, acentua a professora. “Acredito que, se a atual decisão do Conselho não surtir efeito, o uso de tropas por terra pode ser autorizado, sim”.


Renatho Costa, da Unipampa, concorda. “Uma coisa é destruir a base de apoio (de Kadafi), atingir as estruturas de poder. Outra coisa é derrubar Kadafi. Isso só vai acontecer ou entrando com tropas terrestres, ou financiando milícias”. O professor de Relações Internacionais acredita que a segunda hipótese é mais provável, já que o desgaste político de uma intervenção por terra é muito grande. “Entrar é fácil, o difícil é retirar as tropas do país”, argumenta.


Um aspecto que pode acelerar a tomada de uma decisão nesse sentido é a quantidade de refugiados, que já começa a se tornar um problema para alguns países próximos. “O medo é que o caos da Líbia transborde para países vizinhos. A Argélia, por exemplo, faz fronteira com a Líbia e é um país que já teve protestos, que tem uma situação interna bastante complicada. O Egito já está recebendo muitos refugiados, e essa situação pode se estender até a Europa, com refugiados chegando até a França ou ao sul da Itália”.


Kadafi está isolado, mas ainda tem apoiadores dentro da Líbia


De acordo com os especialistas consultados pelo Sul21, ainda é cedo para determinar com alguma segurança quais serão os próximos desdobramentos na Líbia. Mas todos parecem concordar em um ponto: a situação de Muammar Kadafi é das mais complicadas. Dificilmente ele conseguirá resistir às investidas da coalizão – e a falta de apoio internacional torna tudo ainda mais difícil, mesmo que o ditador líbio garanta que resistirá até o fim.


“A opinião pública árabe está adotando uma postura cautelosa. A verdade é que a figura de Kadafi tornou-se muito rejeitada, como a de alguém de quem é necessário se livrar”, argumenta Maurício Santoro. “O apoio a ele é praticamente inexistente. Na Liga Árabe, apenas a Síria e a Argélia foram contra a zona de exclusão aérea. São dois países em um total de 22 membros. Isso dá uma noção de como Kadafi está isolado”. E mesmo esses apoios, segundo Santoro, atendem a interesses específicos. A Argélia, além de estar às voltas com protestos em seu próprio país, teme uma crise humanitária pela quantidade de refugiados que um ataque a Tripoli causaria. A Síria, por sua vez, é comandada pelo ditador Bashar el-Assad, talvez o governante árabe de maior afinidade com Muammar Kadafi.


De qualquer modo, Renatho Costa, da Unipampa, lembra que o ditador ainda conta com muito suporte dentro da própria Líbia. “Ele é um coronel, tem ascendência sobre as tropas, além de ter construído uma forte base de apoio com um processo de troca de favores. Muitos militares aproveitaram durante muito tempo as benesses do regime. Além disso, temos que lembrar que Muammar Kadafi é uma figura de grande carisma popular. Certamente temos uma boa parcela da população que ainda é fiel a Kadafi”.


Samuel Feldberg, pesquisador da USP, concorda. “São elementos que se beneficiam há mais de 40 anos do regime (de Kadafi). Existe toda uma estrutura de poder, que envolve muitas pessoas, e elas vão lutar para manter a situação como está”.


Petróleo influencia ação, mas não é fator principal


A alegação do Conselho de Segurança da ONU é de que a intervenção na Líbia é necessária para proteger vidas civis ameaçadas pelas atitudes violentas do regime de Muammar Kadafi. Porém, não são poucas as vozes que insinuam outros interesses na iniciativa internacional. A Líbia é um importante fornecedor de petróleo e gás natural para vários países da Europa. O gasoduto Greenstrean, que sai da cidade líbia de Mellitah rumo à Sicília, na Itália, é um dos principais fornecedores de gás para a Europa, usado especialmente para o aquecimento de residências. O país árabe também fornece combustível para países como a Espanha, por via marítima. Segundo críticos da ação da ONU, a proteção dos civis é apenas uma desculpa para uma ação de objetivos econômicos, para estabilizar o fornecimento de combustível e garantir o controle do Ocidente sobre as jazidas do país.


No entanto, o professor Renatho Costa não acredita que o domínio dos poços de petróleo seja o fator determinante da ação militar. “Se a ideia fosse intervir na Líbia apenas em nome do petróleo, isso já poderia ter acontecido muitos anos atrás. Kadafi comanda a Líbia há mais de 40 anos, teria dado apoio a grupos terroristas como IRA e OLP. Não acho que dê para separar as coisas, temos vários fatores que motivam essa intervenção. Claro que existem interesses políticos e econômicos, mas aspectos geopolíticos também estão sendo levados em conta”.


Maurício Santoro é outro que relativiza a importância do petróleo na decisão da ONU sobre a Líbia. “É um dos fatores, mas não o principal. A Líbia produz cerca de 1% do petróleo do mundo e já perdeu parte de sua importância como exportadora, com o crescimento de regiões como a Rússia e a África Ocidental”.


Para Samuel Feldberg, da USP, aspectos geopolíticos podem estar sendo mais importantes do que a conjuntura econômica. Ele destaca a questão dos refugiados da Líbia – que, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), já seriam mais de 300 mil. “Cinicamente falando, acho que essa é a única coisa que realmente preocupa (os países ocidentais)”, acentua. “Se o petróleo fosse mesmo o principal fator, a intervenção possivelmente aconteceria antes, e de forma mais direta”.


Para o pesquisador do Gacint, a importância da Líbia, na produção de petróleo, é relativamente modesta. “Claro que para alguns países, especialmente na Europa, trata-se de um fornecedor mais próximo, ou seja, há uma importância estratégica”, admite Feldberg. “Mas a produção de petróleo deles é de cerca de 1,7 milhão de barris (por dia), menos até do que a do Brasil (2,18 milhões de barris/dia)”. Em circunstâncias normais, a Líbia exporta 1,2 milhão de barris por dia, sendo que 85% são destinados a países da Europa.

Estruturar novo governo é grande desafio


Para Eveline Brigido, a verdadeira questão não é se Muammar Kadafi deixará ou não o governo líbio. “Tudo indica que Kadafi será indiciado no Tribunal Penal Internacional. Ou seja, ele deixará o governo em breve, seja da maneira que for”. A grande dúvida, segundo a especialista em Direito Internacional, é sobre o que virá depois, em um período pós-Kadafi. É o jornalista e cientista político Maurício Santoro quem desenvolve a questão. “São mais de 40 anos sem estrutura política, sem partidos, parlamento, sindicatos… O único poder realmente consolidado é o das tribos. Será um grande desafio organizar todos esses grupos em torno de algo mais ou menos estável”.


“O próprio poder de Kadafi foi consolidado a partir de acordos com lideranças tribais”, acrescenta Renatho Costa. “Se ele cair, não temos uma figura forte capaz de centralizar o poder político”. Além disso, o professor da Unipampa detecta outra possível consequência da queda do atual governante líbio. “O que vai ser feito com os apoiadores de Kadafi? Como evitar uma atitude revanchista contra eles? Em uma sociedade fragmentada, carente de instituições políticas, essa é uma questão difícil”, afirma.


“O ideal seria que os próprios líbios resolvessem a situação, construindo um governo de unidade nacional”, diz Maurício Santoro. “Mas essa seria uma expectativa bastante otimista. A necessidade de uma força de paz é bastante provável”.


“Serão tropas com uma finalidade diferente das que estão atuando agora”, explica Eveline Brigido. “A tarefa delas será de realizar operações de manutenção da paz dentro da Líbia, de modo que haja condições para a escolha de um novo governo, por meio de eleições diretas”.


“É possível que aconteça uma africanização das tropas, buscando usar militares de países da África e de países da Liga Árabe”, diz Maurício Santoro, considerando essa uma possível atitude para diminuir os impactos negativos de uma intervenção de longo prazo. “Mas a própria Liga Árabe está dividida quanto ao que está acontecendo na Líbia. Foram eles que solicitaram a zona de exclusão aérea, mas estão muito incomodados com os bombardeios”.


Disponível: http://sul21.com.br/jornal/2011/03/intervencao-na-libia-debilita-kadafi-mas-divide-comunidade-internacional/

quarta-feira, 2 de março de 2011

A CRISE DA LÍBIA E O OLHAR DO ESPECIALISTA

Caderno Internacional - Quarta-feira, 02 de março de 2011, p. 3
Por Cleizer Maciel

Para o professor do curso de Relações Internacionais da Unipampa em Livramento, Renatho Costa, a queda de Muammar Kadafi é apenas uma questão de tempo

O mundo assiste perplexo a uma crise que envolve diversos países do norte da África e que já culminou com a queda do ex-presidente do Egito, Hosni Mubarak. Protestos no Iêmen com alto teor de agressividade, resultado da organização de grupos que, mesmo trabalhando de forma praticamente isolada na forma de ser oposição aos governos, conseguiram encontrar o que pode ser considerado uma brecha histórica, e estão promovendo mudanças nas lideranças de seus respectivos países.

O grande alvo do momento, e que tem atraído para si os olhos da imprensa internacional e demais habitantes do planeta, chama-se Líbia. A revolta na Líbia em 2011 é uma onda de protestos populares com reivindicações sociais e políticas, iniciada em 13 de fevereiro de 2011 neste país e faz parte do movimento de protestos nos países árabes em 2010-2011. Tal como nas recentes revolução na Tunísia e revolução no Egito, os manifestantes exigiam mais liberdade e democracia, mais respeito pelos direitos humanos, uma melhor distribuição da riqueza e a redução da corrupção no seio do Estado e das suas instituições. O chefe de Estado líbio, Muammar Kadafi, também conhecido como Gaddafi, Kadhafi e Qaddafi, é o chefe de Estado árabe no cargo há mais tempo: lidera a Líbia há 42 anos.

Para o professor do Curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do Pampa - Unipampa, em Sant'Ana do Livramento, Renatho Costa, - Doutorando em História Social pela FFLCH/USP (2007), mestre em História Social, também, pela FFLCH/USP (2006); graduado em Relações Internacionais pela Faculdade Santa Marcelina (2003), com experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Relações Internacionais (assuntos relacionados ao Oriente Médio), atuando principalmente nos seguintes temas: Hezbollah, Líbano, Síria, Terrorismo, Israel, Irã, Iraque e Questão Palestina - o conflito pode estar perto do seu fim.

Nos últimos dias, Renatho foi entrevistado sobre o assunto na rádio CBN de São Paulo, no programa Fato em Foco. Na tarde de ontem, ele concedeu entrevista ao Jornal A Plateia. Para o professor, o tempo de Muammar Kadafi à frente do governo da Líbia já está completamente esgotado.
 
Entrevista


A Plateia: Em Sant'Ana do Livramento há uma comunidade muito grande de árabes, palestinos, libaneses, sírios, e líbios e que estão preocupados. Como o senhor analisa a crise na Líbia?


Renatho Costa: Não dá para analisar o que está acontecendo lá a partir de uma variável. Acho que o que temos percebido é que os regimes ditatoriais que tomaram países como a Libia e o Egito, tiveram um desgaste natural que gradualmente foi oprimindo e reduzindo o poder econômico das populações. Assim sendo, considero que o fator que propicia esses movimentos é a queda na capacidade econômica do povo e, gradualmente, também, esses regimes, pelo menos o Egito, eram mantidos por uma política norte- -americana que financiava a manutenção de uma liderança ali na região do Oriente Médio que atendia aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos. No caso da Líbia especificamente, era um país que contava com uma capacidade de produção de petróleo muito grande, e ela trilhou um caminho distinto. Kadafi apoiou diversas organizações terroristas, facilitou as transações de armas para o IRA e ETA, além de participar, também, de atentados terroristas, como o ocorrido em uma danceteria na Holanda. A partir daí foram impostas várias sanções contra a Líbia, o que fez com que se tornasse um país à parte, fechado, fazendo com que o seu mandatário tivesse o poder total impedindo que outros países interviessem ali. Algum tempo depois, o país foi reintegrado ao sistema internacional, mas a população continuava excluída. A partir do momento em que surgiram esses focos revolucionários em outros países, não há dúvida que isso facilitou o início desse movimento que estamos assistindo hoje. É uma situação gravíssima e a tendência é que, ou haja uma intervenção internacional de fato, ou ali pode acontecer um genocídio. A tendência é que ocorram muito mais mortes.

A Plateia: É possível fazer alguma vinculação com motivação religiosa nessa revolta?

Renatho Costa: Não, esse processo é anterior e se dá a partir do período de sua colonização que é muito mais antigo. Não há como fazer essa vinculação.

A Plateia: O Brasil tem assistido às repetidas crises que envolvem países da Europa e agora do Oriente e África do Norte, sendo alguns deles, produtores de petróleo como a Líbia, e o Brasil em fase de desenvolvimento. É possível afirmar que a crise, se chegar ao país, pode encontrar uma economia preparada e capaz de suportar mais este impacto?

Renatho Costa: Não sou um especialista em economia para tecer observações sobre o modelo econômico brasileiro, mas no que tange à minha área, em uma discussão um pouco mais política, posso dizer que o Brasil vem galgando um espaço maior no sistema internacional. Se há um país que não mais está em eterno desenvolvimento, esse é o Brasil.

A Plateia: Apesar do risco de uma invasão, o senhor acredita que os Estados Unidos possam invadir a Líbia?

Renatho Costa: Não acredito nessa possibilidade, uma vez que não é o estilo de Barack Obama. Agora, referendado por um Conselho de Segurança, tropas internacionais serem enviadas para lá para evitar que se expandam esses enfrentamentos e reduzir a ação das tropas fieis as de Kadafi, eu acho mais possível. Acredito que já esteja em um processo de negociação para que Muammar Kadafi deixe o poder. Muitos desses líderes têm suas fortunas bloqueadas em bancos do exterior e precisamos saber qual país vai recebê-lo. Não vejo um ataque pontual, mas não está descartado, uma vez que, caso ele mantenha essa posição tão dura, a comunidade internacional certamente vai atuar. Agora depende muito dele. Acho que essa semana ainda vamos ter uma reviravolta, já que a situação está insustentável na Líbia. Ou parte para o enfrentamento ou tenta um acordo.
 
Versão digital disponível em: http://www.aplateia.com.br/

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

PROGRAMA FATO EM FOCO - RÁDIO CBN

Programa exibido dia 19 de fevereiro de 2011, das 21h00 às 21h30

O ORIENTE MÉDIO CONTINUA AGITADO NESTA SEMANA

Nessa semana, o jornalista Roberto Nonato entrevista os professores Cristina Pecequilo (UNIFESP) e Renatho Costa (UNIPAMPA) sobre os últimos acontecimentos no Oriente Médio. Na pauta, a revolução que levou à queda de Ben Ali (Tunísia) e Mubarak (Egito), além de os movimentos do Bahrein, Iêmem e Líbia. 

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A PARTIR DA TUNÍSIA E EGITO, PROTESTOS PODEM SE ALASTRAR PELO MUNDO ÁRABE



MUNDO, 04/02/11 / 21:19
Igor Natusch

Em janeiro, o povo tomou conta das ruas das principais ruas da Tunísia, recitando poemas do escritor Abul Qasim al-Shabi e exigindo a queda imediata do ditador Zine El Abidine Ben Ali. Entrando em fevereiro, temos a revolta popular que incendeia os corações do Egito, dizendo que setembro é longe demais e que Hosni Mubarak deve ir embora agora mesmo. As populações de outros países árabes, como Jordânia e Iêmen, já dão sinais de que não devem acompanhar os protestos de seus vizinhos apenas pelas emissoras estatais de televisão. Mais do que uma onda democrática, a sucessão de revoltas no Grande Oriente Médio lança um ponto de interrogação não apenas sobre o mundo árabe, mas sobre todo o panorama político-econômico mundial.

“É um dominó”, diz Samuel Feldberg, integrante do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional (Gacint) da USP. Embora não atribua as revoltas na Tunísia e no Egito a movimentos pan-árabes, o cientista político frisa que a intensidade dos protestos acaba chamando a atenção de todo o mundo. “Temos todo um processo de insatisfação, gerado por governos autocráticos, que motiva essa revolta popular. O presidente do Egito (Hosni Mubarak) está no governo há 30 anos, e dava sinais de que poderia se recandidatar ou conduzir o seu filho ao governo. Essa falta de perspectivas de mudança acaba ajudando a fermentar dessa insatisfação”.

O professor Márcio Scalércio, da PUC-RJ, diz que “não é novidade” que os países árabes tenham fortes manifestações nas ruas. “É praticamente uma tradição árabe”, comenta, lembrando de movimentações semelhantes ocorridas na Argélia, Líbano e Palestina. No caso específico do Egito, as condições de vida da população, somadas a um regime brutal e antidemocrático, acabam potencializando a indignação popular. “Acho uma bobagem dizer que o Egito está em ditadura há 30 anos. Na verdade, desde a descolonização do país que temos uma sucessão de governos sem nenhuma preocupação democrática”, afirma.

Claudia Musa Fay, professora de história da PUCRS, lembra que tanto Tunísia quanto Egito vivem (ou viviam) em regimes ditatoriais, que não se mostravam mais capazes de atender as necessidades das populações sob seu jugo. “No Egito, a maior parte da população é jovem. São pessoas que enfrentam uma situação de desemprego, e que acabam se informando pela Internet a respeito do que acontece em outros lugares”, explica.

Como a União Europeia está fechando as fronteiras para os imigrantes, a principal alternativa para os jovens desses países foi muito dificultada. “São jovens sem perspectivas em seus países, que não podem emigrar, e mesmo que entrem na Europa vão ter dificuldade para conseguir emprego. É um caldeirão, com todos os ingredientes para uma revolta popular”, diz Musa Fay.

Revolta que, segundo Márcio Scalércio, vinha sendo mantida em uma “fornalha branda” pela atuação brutal da polícia política de Hosni Mubarak, com prisões sumárias e a generalização da violência e da tortura no país. Renatho Costa, professor de relações internacionais da Unipampa, em Santana do Livramento, reforça essa visão. “Como Tunísia e Egito eram aliados do Ocidente, ninguém dava tanta atenção ao que acontecia nesses regimes”, afirma. “Agora, com esses levantes, começou a ficar mais claro esse caráter de violência e repressão”.

IRMANDADE MUÇULMANA PODE CHEGAR AO GOVERNO
Independente da postura de tempos idos, agora a comunidade internacional tem manifestado crescente preocupação com os rumos políticos do Egito — reflexo provável da incerteza que a mudança de regime trará para o cenário geopolítico da região. A organização mais forte da oposição a Mubarak, a Irmandade Muçulmana, desperta discussões sobre um possível caráter fundamentalista de um novo governo do país árabe. Além disso, líderes religiosos da Tunísia, que estavam exilados, durante o regime de Ben Ali, retornaram em meio à festa popular. Considerando exemplos como o do Irã, que derrubou o xá Reza Pahlavi e acabou sobre o jugo fundamentalista do aiatolá Ruhollah Khomeini, surgem temores de que algo semelhante possa ocorrem em outros países da região, apenas substituindo um regime autoritário por outro, de caráter religioso.

Renatho Costa, da Unipampa, não acha que seja “exatamente esse” o mote das manifestações que tomam conta do Egito e da Tunísia. Para ele, trata-se de uma reação inevitável a um governo altamente repressivo e desligado das necessidades de seu povo. Porém, o professor não descarta que essa luta por um novo governo sofra algum “desvio”, semelhante ao caso iraniano. “Se a Irmandade Muçulmana conseguir se tornar uma espécie de porta-voz, se alcançar os anseios mais imediatos da população, é algo que pode acontecer”, admite. E lembra que o grupo político-religioso foi muito perseguido no Egito nas últimas décadas, tornando-se quase um “paradigma” do modelo repressivo adotado por Hosni Mubarak.

Márcio Scalércio, historiador da PUC-Rio, ressalta que a Irmandade Muçulmana não é um partido político propriamente dito, e sim uma organização multifária, que promove uma série de ações religiosas e sociais. Embora sua estrutura seja semelhante ao grupo militante Hezbollah, do Líbano, a Irmandade Muçulmana alega ter abandonado há muitos anos o uso de meios violentos para atingir seus objetivos. Segundo Scalércio, trata-se de um grupo forte, que está apostando na queda de Hosni Mubarak para ter mais espaço em um futuro governo. Mas acredita que as ambições da Irmandade, na medida em que se mantenham dentro do jogo político, são legítimas. “Da mesma forma que, no Brasil, aceitamos que grupos católicos ou evangélicos tenham candidatos nas eleições, organizações muçulmanas têm direito a buscar representação política em países árabes”.

Claudia Musa Fay, da PUCRS, lembra que o Irã tinha um diferencial importante: a presença de uma forte liderança religiosa, “quase um messias”, na figura do aiatolá Khomeini. O Egito e a Tunísia, por sua vez, não têm líderes muçulmanos de destaque semelhante. Mas concorda que existe um temor, entre as grandes potências ocidentais, de que haja um eventual fortalecimento de regimes de dominação islâmica. “Bem ou mal, os Estados Unidos conseguem conversar com o regime de Mubarak. Um novo governo pode significar uma mudança, e os EUA não quer mudança, porque o equilíbrio que conquistaram (na região) é muito precário. Qualquer pecinha fora do lugar e o tabuleiro pode desmontar”.

RELAÇÃO COM ISRAEL PODE SER MAIS OSTIL
Samuel Feldberg, por sua vez, compara a situação do Oriente Médio com a dos países que foram libertados do jugo nazista, durante a Segunda Guerra Mundial. Esses países, em sua maioria, acabaram pendendo para o socialismo, já que os partidos comunistas eram os mais consolidados em cada um deles. No caso do Egito, com a Irmandade Muçulmana, o cientista da USP acha possível que algo semelhante aconteça. “A queda do atual regime deve gerar um vácuo de poder, no qual o partido pode ganhar ascendência”, admite Feldberg.

Para ele, o Egito tem importância estratégica para os grandes países ocidentais, em especial os EUA, não apenas por ser um interlocutor, mas também por ter relação amistosa com Israel. “Se um eventual novo governo egípcio se mostrar hostil a Israel, isso vai gerar uma crise estratégica”, argumenta Feldberg. O cientista político lembra que, nesse caso, todos os países conservadores do Oriente Médio estariam cercados por Irã e Egito, nações que estariam posicionadas contra Israel. “Seria uma catástrofe geopolítica”, adverte.

Renatho Costa, da Unipampa, concorda. E lembra que o Egito ficou “mal visto” pelos países vizinhos ao travar negociações com Israel. Isso motivou inclusive o assassinato do antecessor de Hosni Mubarak, Anwar Al Sadat, em 1981, por membros egípcios do grupo Jihad Islâmica. “Para os vizinhos, é uma relação espúria. Politicamente, o Egito teve benefícios, mas Mubarak nunca foi bem-vindo nos demais países da região. Se o novo regime egípcio acabar sendo de linha islâmica, essa relação com Israel deve sofrer um recrudescimento”, adverte.

PROTESTOS EM OUTROS PAÍSES ÁRABES
Além de Egito e Tunísia, outros países árabes começam a testemunhar demonstrações de revolta popular. O Iêmen, um dos países mais pobres do mundo árabe, teve protestos em suas principais cidades, Áden e Sanaa, exigindo a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, no poder há quase 32 anos. Para tentar controlar a revolta, Saleh garantiu que “não haverá governo hereditário nem presidência vitalícia” no Iêmen, prometendo que não buscará reeleição. Além disso, prometeu ampliar o registro de novos eleitores e promover eleições diretas para os governos provincianos e locais.

A Jordânia também vivencia manifestações contra o atual regime, liderado por Samir Rifai, pedindo medidas imediatas para controlar a inflação e a pobreza. A Argélia, que vive em estado de emergência desde 1992, teve protestos simultâneos em várias das maiores cidades do país, exigindo o controle de preços, especialmente de alimentos. Sinalizando a preocupação crescente dos regimes árabes, o governante da Líbia, Muamar Khadafi, declarou apoio ao tunisiano Ben Ali e disse que, agora, “a Tunísia vive com medo”. No poder há mais de 40 anos, Khadafi é o líder árabe que está há mais tempo à frente de seu país. Embora a repressão seja dura na Líbia, há relatos de protestos na cidade de al-Bayda.

Segundo alguns dos analistas que conversaram com o Sul21, o temor dos principais governos ocidentais — em especial os EUA — é de perder importantes interlocutores em uma área fundamental para a economia mundial. Isso justificaria não apenas os muitos anos de tolerância com governantes autocráticos, mas também o posicionamento pouco firme adotado, até o momento, quanto à possível abertura desses regimes. Se os protestos tomarem conta de mais países árabes, o precário equilíbrio da região pode desmoronar, causando mudanças dramáticas no panorama político-econômico mundial.

SITUAÇÃO NA REGIÃO É INCERTA
“Para os EUA, não dá nem para imaginar perder o diálogo com a Arábia Saudita, por exemplo”, diz a historiadora da PUCRS. Caso as revoltas populares cheguem ao principal produtor de petróleo do Oriente Médio, uma nova recessão econômica mundial pode ser inevitável. “Nesse sentido, o mundo já tem crises demais. Nem mesmo os países árabes querem isso”, afirma Claudia Musa Fay. Para ela, a tendência é que os governos locais adotem uma postura mais conciliadora, promovendo algumas aberturas políticas, para tentar evitar que os protestos, que já se verificam em alguns países árabes, tomem uma dimensão maior.

“Até o último domingo (30), os EUA pareciam acreditar que Mubarak cairia. Já estavam, de certa forma, preparando a transição”, defende Márcio Scalércio. Agora, segundo o professor da PUC-Rio, a situação é bem mais incerta. “O Egito é uma peça muito importante e bem localizada no tabuleiro da região. Os mesmos países que toleraram regimes pavorosos como os do Egito e da Tunísia, agora temem um governo mais autônomo (no Egito), porque a repercussão regional será muito grande”.

Ainda segundo Scalércio, o movimento simbolizado pelos recentes protestos “já está acontecendo, é uma realidade”. Mas a multiplicidade existente no Oriente Médio dificulta previsões mais concretas sobre novos desdobramentos. “Países produtores de petróleo, como a Arábia Saudita, podem investir em políticas sociais que abafam a insatisfação popular. Acho que a possibilidade de uma grande revolta popular na Arábia Saudita é mais remota”, diz o professor. “Em países como Marrocos, Líbia e Argélia, é algo bem mais possível”.

“Falar em ‘onda’ é um pouco prematuro”, opina Renatho Costa. De qualquer modo, o professor da Unipampa acredita que os governos despóticos terão que se reestruturar para tentar algum tipo de permanência no poder. “A Tunísia, por exemplo, propôs eleições livres em 4 anos! As pessoas não querem isso, a população exige mudanças imediatas. Os governos (dos países árabes) terão que ceder, abraçando projetos sociais e econômicos, de repente até promovendo alguma espécie de abertura política. Talvez, assim, consigam evitar que esse processo se expanda”.

Disponível em: www.sul21.com.br

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

CRISE NA TUNÍSIA: UM MOMENTO HISTÓRICO PARA O ORIENTE MÉDIO

14/01/2011 - 20:06 - Atualizado em 14/01/2011 - 20:06
José Antonio Lima

O presidente Ben Ali, da Tunísia, é o primeiro líder árabe a deixar o poder papós manifestações populares. O evento deve colocar a Tunísia no centro das discussões da política internacional e pode influenciar o resto do mundo árabe
O mundo árabe pode ter vivido nesta sexta-feira (14) um dia emblemático em sua história. Depois de 23 anos governada por Zine El Abidine Ben Ali, a população da Tunísia colocou o presidente autoritário para fora do país após um mês de protestos. Esta é a primeira vez na história das nações árabes que um governo cai por conta de manifestações populares – um medo comum a todas as elites governantes da região desde 1979, quando a Revolução Islâmica do Irã (que é persa) colocou o aiatolá Ruhollah Khomeini no poder. Ao se materializar, o medo das nações árabes abriu uma fresta no transcorrer da história do Oriente Médio e do Norte da África para um terreno ainda inexplorado.

A saída de Ben Ali do poder foi anunciada por seu primeiro-ministro, Mohamed Ghannouchi, conhecido como "Sr. Sim Sim", por conta do notório hábito de concordar com tudo o que Ben Ali determinava. Ghannouchi apareceu em rede nacional na televisão, ladeado por dois ministros, dizendo que estava assumindo o controle do país como presidente interino devido à "dificuldade que o presidente tem de exercer seus deveres temporariamente". Ghannouchi prometeu respeitar a Constituição e cumprir as promessas feitas por Ben Ali. No desespero para se manter no cargo, o presidente da Tunísia prometera investir na criação de milhares de empregos, realizar eleições parlamentares, relaxar a pressão sobre a imprensa e a oposição e, o mais inesperado, deixar o poder em 2014, quando seu mandato acabaria. Antes, Ben Ali ordenara a instalação de um comitê para investigar denúncias de corrupção contra integrantes do governo. Este foi um dos fatores que revoltou a população, depois que casos de nepotismo e outros tipos de corrupção, envolvendo até a família da primeira-dama, Leila Trabelsi, foram escancarados em telegramas diplomáticos americanos revelados pelo site Wikileaks (confira um dos telegramas, em inglês, no site do jornal The Guardian).

Para a população, 2014 estava longe demais. As manifestações populares contra o desemprego e a corrupção do governo da Tunísia começaram no fim do ano passado e se tornaram nacionais depois da morte de Mohamed Bouazizi. Analista em informática de 26 anos, Bouazizi estava desempregado e se tornou vendedor ambulante. Depois que a polícia confiscou suas mercadorias na cidade de Sidi-Bouzid, Bouazizi se desesperou e botou fogo no próprio corpo, morrendo em seguida. Sidi-Bouzid se revoltou e, em seguida, protestos violentos foram registrados em outras cidades do interior, como Kasserine, Thala, Regueb e Jabeniana, até chegarem à capital, na quarta-feira. Nesta sexta-feira, Túnis foi tomada por milhares de manifestantes, que entraram em confrontos violentos com a polícia. O mais emblemático deles se deu em frente ao Ministério do Interior – o principal executor da política repressiva de Ben Ali – que acabou cercado pela população. Segundo o relato da rede Al Jazeera, do Catar, há informações de que repartições públicas estarim sendo saqueadas em diversas cidades tunisianas.

O futuro da Tunísia, e os efeitos para o Oriente Médio

Por enquanto, não está claro quais setores do governo provocaram a queda de Ben Ali, mas é difícil acreditar que um governante autoritário como ele fugiria do país se tivesse o apoio das Forças Armadas. Na quarta-feira, o jornal francês Le Figaro afirmou que o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Rachid Ammar, teria se recusado a transmitir ordens para o Exército coibir os protestos populares e expressou sua preocupação com o uso excessivo de força. Fontes da oposição teriam afirmado que o chefe dos serviços de Inteligência, Ahmed Chbir, teria sido nomeado por Ben Ali como substituto de Ammar. Uma reversão nesta destituição por parte dos militares pode ter sido o golpe final em Ben Ali.

Aparentemente, Ghannouchi tomou o poder baseado em uma premissa constitucional, mas a proximidade do "Sr. Sim Sim" com Ben Ali pode ser um fator ruim para ele. "A conjuntura não deve permitir que ele fique no poder por muito tempo", afirma Renatho Costa, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal dos Pampas. Em sua opinião, a Tunísia deve viver uma disputa de poder que envolverá não apenas os atores locais, mas também a disputa entre o modelo de democracia ocidental e o fundamentalismo islâmico. "A Tunísia tem forças fundamentalistas que foram duramente reprimidas e agora vão querer ganhar poder, enquanto a União Europeia – principalmente por conta da Itália, que é muito próxima geograficamente da Tunísia – e os Estados Unidos vão lutar para que o país africano tome um rumo democrático", diz Costa. "Os dois lados vão vislumbrar uma oportunidade de instaurar seu modelo de governo", afirma.

Uma mostra da presença americana na região foi dada pela secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, nesta semana. Como mostrou o jornal The Washington Post, Hillary passou por cinco capitais árabes e criticou os governantes locais por tolerar "instituições corruptas e uma ordem política estagnada". Ela alertou aos governantes que, se não trabalharem para estimular o desenvolvimento de uma sociedade civil que permita aos jovens contribuir com o país, a instabilidade virá e outros atores – leia-se os fundamentalistas islâmicos – vão preencher o vácuo. O que só o futuro vai dizer é se os países árabes vão conseguir aprender com o exemplo da Tunísia, ou se vão reiniciar o ciclo de repressão para tentar prolongar suas permanências no poder.

Fonte: www.epoca.com.br

sábado, 11 de dezembro de 2010

SEMANA DA CULTURA ÁRABE


Dia 26 de outubro de 2010
Autitório da UNIPAMPA
Palestra "Líbano, Hezbollah e Israel: novidades no front?"


Palestra apresentada durante o dia dedicado à comunidade libanesa. O tema da exposição foi a difícil relação política entre os grupos religiosos libaneses na construção de um modelo democrático eficaz. Também participaram, como palestrantes, na mesma noite: Sr. Almada, Profa. Liane Aseff e Ricardo Kotz.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

EMIRADOS ÁRABES UNIDOS, ABU DHABI E O INTERNACIONAL


Programa MAPA MUNDI INTELIGÊNCIA EM TURISMO
Rádio Bandeirantes RS - AM 640
Apresentação de Henrique Raizler

Programa exbido em 27 de novembro de 2010, 20h

Abu Dhabi e os Emirados Árabes
Com Feliciano Bastos Neto, fisioterapeuta com passagem por Abu Dhabi; Teresinha Furlanetto Marques, professora e coordenadora do Curso de Geografia da PUCRS; Renatho Costa, professor do curso pós-graduação em Política e Relações Internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA - Sant'Ana do Livramento); e com o escritor e colunista do programa Airton Ortiz.